domingo, 2 de setembro de 2012

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Saúde da Família (turmas manhã e noite).


Saúde da Família - O papel da equipe na atuação
Meta dos profissionais da saúde
Segundo Mariana Fernandes de Souza (apud BRÊTAS e GAMBA, 2006) as profissões se organizam com base em ideias partilhadas por pessoas que as exercem. As ideias e as crenças profissionais estruturam-se sempre em relação a uma atividade humana, a um projeto com uma finalidade. O projeto animado pela meta ou fim almejado conduz à reflexão, ao esforço de construção do saber e do fazer para os temas pertinentes selecionados em determinada profissão. O ser humano é limitado em sua capacidade de abranger a multiplicidade de acontecimentos da vida. No entanto, os profissionais da saúde têm como meta a assistência ao ser humano em suas necessidades de saúde. Essa finalidade conduz a ideias principais sobre as quais devem dirigir a reflexão: a pessoa, a saúde ou doença, o ambiente e a assistência.
Estratégias para o trabalho de equipe
Para realização da Estratégia Saúde da Família como trabalho de equipe, trazemos algumas sugestões sobre como entender melhor o outro quando se trabalha em equipe e obviamente com objetivos comuns. Segundo O’Connor & Seymour (1995) devemos considerar as estruturas comportamentais, ou seja, maneiras de pensar sobre como agimos.
A primeira dessas estruturas é uma atitude voltada para os resultados, em vez dos problemas. Isto significa descobrir o que cada um deseja, como resultado, descobrir os recursos de que dispõem e usá-los para atingir os resultados desejados.

A segunda estrutura é mudar o enfoque das perguntas, utilizando Como? em vez de Por quê? A primeira ajuda-nos a entender a estrutura do problema, enquanto as segundas só provocam justificativas e razões, sem que nada mude.
A terceira estrutura é a oposição entre “feedback” (realimentação) e fracasso. Não existe fracasso, o que existe são resultados, que podem ser usados como feedback, correções úteis e uma oportunidade para aprender algo que passou despercebido. Podemos usar os resultados para reorientar nossos esforços. O feedback faz com que não percamos nosso objetivo de vista.
A quarta estrutura consiste em levar em consideração as possibilidades, além das necessidades. Observar o que pode ser feito, quais as opções, em vez de se concentrar nas limitações da situação. Com frequência os obstáculos são menos importantes do que parecem ser. A programação neurolinguística adota uma atitude de curiosidade e fascinação, em vez de partir de pressupostos.
Quando falamos de Educação em Saúde devemos lembrar que antes de aplicarmos qualquer teoria ao outro, devemos testar nossa flexibilidade, ou seja, a disposição para o aprendizado. Faz-se importante – nesse momento – lembrar os quatro estágios da aprendizagem:
1. Incompetência inconsciente (não sabemos e não sabemos que não sabemos). Ex. alguém que nunca dirigiu um carro não tem a mínima ideia do que isso significa;
2. Incompetência consciente (sabemos que não sabemos). A pessoa que começa a aprender a dirigir, logo percebe suas limitações (é neste estágio que mais aprendemos);
3. Competência consciente (sabemos que sabemos com atenção). Podemos dirigir, mas precisamos de muita concentração: aprendemos a técnica, mas não a dominamos;
4. Competência inconsciente (sabemos automaticamente). Podemos ouvir rádio, admirar paisagem e conversar enquanto dirigimos. Nossa mente consciente estabelece o objetivo e deixa que a mente inconsciente cuide dele, liberando a atenção para outras coisas.

Nesse ponto, a habilidade tornou-se inconsciente. Entretanto, os hábitos nem sempre são a maneira mais eficiente de levar a cabo uma tarefa. Apesar de já possuirmos capacidades de comunicação e de aprendizagem, temos que nos dar a possibilidade de aperfeiçoar essas capacidades, dando-nos novas opções e maior flexibilidade na maneira de utilizá-las.
Num seminário de três minutos sobre modelos de aprendizagem, o apresentador diz: Senhoras e senhores, para ter sucesso, uma pessoa só precisa ter em mente três coisas: 1º Saber o que quer. Ter uma ideia clara do objetivo desejado em qualquer situação. 2º Estar alerta e receptiva para observar o que está conseguindo. 3º Ter flexibilidade para continuar mudando até conseguir o que se quer. Em seguida escreveu no quadro:

              RESULTADO            ACUIDADE E           FLEXIBILIDADE

                                      Fim do seminário.

“Trocando em miúdos”, a equipe da Estratégia de Saúde da Família precisa ter consciente seu papel de educador em saúde e conjuntamente saber o resultado que quer atingir em cada situação. É recomendável o treinamento da percepção sensorial: onde focar a atenção e como modificar e ampliar os filtros para poder observar coisas que não eram percebidas anteriormente. Filtro é uma expressão utilizada na Programação Neurolinguística, que significa linguagem dos nossos pensamentos e experiências vividas por nós, imagens internas, sons e sensações que nos dão um significado especial e que fica arquivado em nosso cérebro e que nos vem à mente nas mais diversas situações.

 Exemplo: nossas crenças religiosas, nosso aprendizado na área específica funcionam como filtros, levando-nos a agir de certa maneira e a prestar mais atenção a algumas coisas do que a outras (O’CONNOR e SEYMOUR, 1995; ANDREAS e FAULKNER, 1995).
Ao prestar a assistência ao indivíduo, à família ou à comunidade, há que se considerar quem é ou quem são os clientes, como se apresentam na situação de necessidade de saúde, seus direitos, deveres, valores e prerrogativas. O ser humano é complexo e não há como abranger sua totalidade por uma única definição. Mesmo que se considere a pessoa um ser biopsicossocial e espiritual, não se consegue expressar toda sua individualidade e singularidade. Os profissionais da saúde aprendem sobre estrutura e função humanas pelo estudo da anatomia, da fisiologia, da psicologia, da sociologia, da patologia, além das várias maneiras de assistir, de abordar e se relacionar profissionalmente com o indivíduo, a família ou a comunidade.